sábado, 4 de junho de 2011

#99 - Carta III


Algum lugar, 29 de maio de 2011.

Olá, Amor


Desde aquele dia nós não somos mais iguais. Nada igual ao que éramos, ao que fomos. Eu poderia falar da fantasia, ou quem sabe do sabor. Não quero falar disso. Poderia lhe contar os meus medos, mas eu os tranquei lá fora. Então eu vou falar do depois, do que eu me lembro do depois. Eu vou falar daquele sorriso, daquele que me acalmou por alguns instantes. Falar daquele momento que você me abraçou. Falar do passeio, da inquietação. Talvez me lembrar do seu sorriso todo bobo quando vê o meu sorriso todo bobo. É isso, Amor, somos dois bobos andando um ao lado do outro. Bobos com as mãos entrelaçadas. Bobos de um sorriso, bobos de um beijo. Simplesmente bobos.

Queria saber se você cresceu. Saber se posso continuar a lhe contar os meus segredos, minhas histórias. Contar do meu baú, meu relicário. Contar as minhas mais belas imagens. É o meu baú de memórias boas. Quando fico triste, ele se abre e as imagens vêm. Ele guarda seus sorrisos, suas caras, seu amor.

Parei de escrever por alguns momentos para ler um recado seu no celular. Quero pedir desculpas por fazer assim. Queria que pudesse me entender ou ao menos aprender o que fazer. Ah, eu sei que se esforça, mas tudo eu não posso falar. Você tem que saber. Não quero lhe moldar.

Seu sorriso e o sol. As coisas que mais me deixam bem. Estou aqui sem nenhum. Isso é mentira, minha mente me mostra o seu sorriso ao sol. Tão meu. É uma pena não lembrar de todos os seus sorrisos, mas me conformo em guardar os que julguei especiais.

Ai, Amor. Está me fazendo falta. Eu me tornei um ser dependente do seu sorriso. Isso não deve ser bom, né? Cadê você aqui me abraçando? Cadê você aqui mexendo nos meus cabelos? Cadê você aqui me dando beijinhos no rosto? Cadê você aqui me fazendo aqueles elogios?

É, Amor. Eu estou assim, estou com vontade de você. Sabia que eu adoro quando insinua que quer se casar comigo? O mais engraçado é sentir o seu medo. A maneira que disfarça me seduz. Nós vamos para o Canadá? Só se me prometer que vai me aquecer no frio. Na verdade, não promete. Nunca me prometa nada! Não vai correr o risco de mentir sem necessidade. Não prometa me amar, não prometa me respeitar até a separação da morte. Não prometa, mesmo!

Gosto do jeito que se transforma. Gosto das pequenas mudanças não prometidas. Espero que esse seja o jeito o certo, Amor. Se é que ele existe...

Amor, o sono está me pegando. Daqui a pouco eu perco a força da mão e me entrego ao inconsciente. A nossa conversa não acaba, não parei por aqui... Só vou lhe encontrar em um outro lugar.


Eu amo você.

G. A.


P.S.: Esta carta eu escrevi para o meu namorado à noite, na minha cama, em papel. Não estava nos meus melhores dias e resolvi escrever para animar. Até que me ajudou bastante. Espero que gostem!

3 comentários:

Lara Oliveira. disse...

Me lembrou alguém que andava trancado a sete chaves no baú do coração, ficou maravilhosa a carta!
Beijos.

Ewerton[Thon] disse...

Linda a carta. Bem sentimental. Demonstra sua total entrega.
Obrigado pela visita.

deia.s disse...

Que lindo teu blog, e quanto amor nessa carta!
Estou seguindo-te, se puder passa no meu e segue também?

http://amar-go.blogspot.com/

Desde já agradeço. :D