domingo, 24 de abril de 2011

#92 - Carta II

Caro F.A.L.,

Faz tanto tempo. Já transcorreram tantos anos. Não é como antes, não mesmo. Meu coração já se quebrou e se reconstruiu. Já esteve da mesma forma que você o deixou. Estive sozinha novamente, na fossa, da mesma maneira que me deixaste. A última vez foi diferente, tive a ajuda de uma pessoa maravilhosa para recolhê-lo do chão. Ele está aqui no peito, está radiante e cheio de amor. O mesmo, ou talvez maior, que aquele que era seu.

Estou tão feliz agora. Feliz como aquele tempo. Muito mais feliz que aquele tempo. Tenho um amor tão grande quanto aquele que tivemos, um amor que me preenche como outro nunca havia preenchido.

Fique feliz por mim. Feliz por você não ser mais a culpa dos meus choros bobos e infantis. Eu superei você sozinha. Superei a sua ausência. No início foi cruel, foi difícil, lastimavelmente deplorável. Você foi o menino mais mau que eu amei até então. Superei.

Não se sinta mal, não quero que se sinta mal. Sabe, um dia desses eu me lembrei de como nosso sentimento era infantil, era bonitinho. Foi bom o tempo que durou. Foi a primeira vez que senti algo assim. Comentei algumas coisas sobre aquele tempo com uma amiga, nós rimos. Há poucos dias eu apaguei da minha agenda o número do seu celular, nunca soube se mudou. Não fazia mais a diferença. Lembrei das vezes que eu te liguei para ouvir sua voz. Como eu fui bobinha. Não pensei que fosse ouvir sobre você depois de tanto tempo.

Você cruza com tantas pessoas próximas a mim, mas nunca cruzou novamente comigo. Talvez nosso destino não se cruze nunca mais. Talvez eu possa cruzar com você num dia qualquer enquanto estiver a caminho da rotina. Queria te ver. Ainda quero poder falar umas coisas que ficaram intaladas na garganta. Todo mundo que me conhece de verdade sabe que eu deixo tudo em pratos limpos. Na verdade, queria que sentisse um pouquinho de remorso. Nada que fosse doer. Nada para machucar. Só queria poder mostrar como você foi injusto comigo. Todo mundo que faz isso é. Mostrar sua atitude covarde. Depois, quem sabe, eu te convidaria para tomar um sorvete junto comigo e com o meu novo amor. Ele é incrível, quem sabe não poderiam se tornar amigos?

Pelo que notei, ainda quer saber detalhes sobre mim. Engraçado isso, não? Queria ter visto a sua cara quando ela te contou do meu namorado. Por que quis saber dele? Quando eu me casar, prometo que te convido para ser padrinho, junto com uma outra pessoa. Não é maldade, não mesmo! Eu não guardo mágoas, não mais. Quero compartilhar minha felicidade com todo mundo que me fez chorar.

Ah, meu caro, ainda não acredito que esteve tão perto. Seu velho amigo me perguntou sobre você. Não sabia o que falar. Nunca mais o vi. Simples assim. Você está sempre perto. Bem longe da minha vista, bem longe do meu coração. Já me apaixonei por outro sorriso. O seu já foi guardado na caixinha de lembranças.

Despretensiosamente,

G. A.



1 comentários:

Lara Oliveira. disse...

Que carta maravilhosa! E é ótimo quando superamos né? É tanta felicidade de saber que sim, somos capazes de viver sem aquele idiota lá.
Beijos