segunda-feira, 4 de abril de 2011

#89 - Assim não flui

Não sei o que acontece não. Eu não queria estar cansada, mas juro que aguento firme aqui. Talvez porque eu sei que esse não é o meu limite. Sei que posso fazer mais, sem ter que ir dormir nesse momento, mas não flui. Não mesmo.

Quantas vezes eu já ouvi as pessoas falarem para eu fazer o que eu quero? Não é bem assim, não. Não mesmo. Eu tenho que fazer o que eu não quero, para conseguir o que eu suponho que eu quero. Na verdade, eu nem sei se é isso mesmo que eu quero. 

Acho que o que eu quero mesmo é poder ler o meu pequeno livro, lindo, lindo, leve. Assim, sem se preocupar com nada além do meu chocolate quente no fogo. Quero me cobrir nessas tardes frias de Outono e ver TV como antigamente. Quero ter tempo para sentir frio ao tirar a roupa quando vou tomar banho. Quero ter paciência para esperar o chuveiro aquecer. Quero sentar na calçada com todo mundo e ver pessoas estranhas passarem na rua. Quero assistir desenhos animados de manhã e ir para a escola depois do almoço. Quero desenhar lindamente como antes. Quero ficar horas ouvindo e analisando letras de músicas da rádio. Quero fazer nada coletivo. Quero rir de coisas bobas como sempre. Quero dormir tarde e acordar tarde sem ter que me preocupar com o amanhã. Quero brincar de bola com os amigos. Quero contar piadas sem graça. Quero não ter que apressar minha vida da hora que eu acordo à hora que eu vou dormir. Quero não ter que calcular as minhas horas de sono. Quero acordar naturalmente. Quero ficar bastante tempo na cama após acordar. Quero escrever coisas bonitinhas no caderno. Quero escrever aqui sem esse martelo na minha cabeça que me diz que eu não deveria estar aqui. Afinal, eu estou fazendo o que eu quero, mas não o que a obrigação manda.

Hoje eu fui lá na biblioteca que eu tanto visitava e bateu uma melancolia profunda quando peguei os livros que eu adorava - como uma paixão - ler. Tão fofinhos na prateleira, tão meu passado enfileirado naqueles livrinhos arrumadinhos. O Pequeno Vampiro, Matilda, As Bruxas... Uau. Como são perfeitos. Bateu saudade, lembrei do tempo que o meu tempo era para mim. Para minhas coisinhas e não apenas para minhas obrigações. Dizem que depois da obrigação, vem a diversão. Então espero que a minha diversão seja satisfatória depois, porque a minha obrigação... Inhame - esse é o meu novo palavrão!.

Inhame mesmo! Como pode? Como? Não sei o que eu estou fazendo disso tudo. Estou perdida no mundo de gente grande. Ainda sou pequena. Sou sim. Sou uma pequena que tem que crescer. Tenho medo de crescer e parar de sentir as coisas como antes. Tenho medo de gostar de ser gente grande. Às vezes hesito em ser gente grande. Quis ler O Pequeno Príncipe outra vez.

Não sei o que realmente me traz aqui. Não estou reclamando, não. Não estou cansada, não tenho tanto sono. Tenho provas. Tenho melancolia momentânea. Tenho que estudar.

Sabe o que eu quero. Quero poder voltar qualquer dia aqui e dizer que valeu a pena tudo isso. Que valeu sim, que eu consegui algo bom. Algo legal, que depois de tanto. Veio tanto.

Tudo o que eu espero para depois está nessa caixinha, nessa caixinha chamada coração. Caixinha de coisas legais que eu guardo. Acho que é isso que as pessoas chamam de esperança. Vontade que tudo dê certo depois. Inhame, inhame, inhame! É muita intensidade, mas as coisas não fluem, mas não estão totalmente estagnadas. Meio termo seria a palavra que eu busco? Creio que ainda não.


3 comentários:

Mariana Januário disse...

Olá! Está tendo um concurso no Blog Ilusões:

http://mj-ilusoes.blogspot.com/p/participe.html

Espero que possa participar! Bjinhos *

Lucas L\o/ureir\o/ disse...

Oi, adorei seu blog, e achei ele pelo blog da Mariana Januário ^^ ,pode ver e se gostar, pode seguir?
http://depoimentosateofim.blogspot.com/
agradeço !!
^^
\o/

Lucas L\o/ureir\o/ disse...

Obrigado pelo comentário!!Adorei!!
Poderia divulgar o meu blog?
Obrigado!!!
vlw
\o/