domingo, 3 de abril de 2011

#88 - A Era da Fragilidade



Não é de hoje que as pessoas tentam classificar os tempos em que vivem. Era de Ouro, Era de Aquário, Era sei-lá-do-quê. As épocas são compostas por várias características, mas uma sempre salta aos olhos de quem se dispõe a analisá-las.

Eu acredito que vivemos na Era da Fragilidade.

Essa fragilidade certamente não é dos governos ou das instituições oficiais, embora muitas delas tenham a solidez de uma geleia. Esta é a Era da Fragilidade das relações.

Não é à toa que as redes sociais como Facebook e Twitter sejam tão populares. É mais confortável trocar ideias virtuais do que reais, já que pela internet só nos relacionamos com quem pensa igual a gente. E, se por acaso alguém ousar discordar, basta desligar o computador.

Isso não é uma crítica às redes sociais - seria como atirar no mensageiro -, que são apenas o reflexo dessa fragilidade das relações. É uma crítica a nós mesmos, que deixamos a correria alucinada do mundo adiar o ritmo de nossas vidas. Ninguém tem mais paciência para nada, ninguém tem mais tempo para perder com nada: nem com o que é importante.

Importante? Existe algo importante hoje em dia? Algo que consiga atrair nossa atenção por mais de dez minutos, sem que a gente dê uma olhadinha de leve para ver se chegou uma mensagem pelo celular? E existe alguém que nunca falou no celular enquanto dirigia? "Ah, mas era urgente". Claro que sim, tudo é urgente - até as coisas que não são urgentes.

Nossas relações são frágeis até no nível mais íntimo, como prova uma historinha que ouvi de um amigo. Ele conheceu uma garota, a convidou para jantar. Restaurante chique, tudo muito bem.  A conversa estava ótima, muitos interesses e amigos em comum. Até que ele, em um momento descontraído, fez um comentário X sobre um assunto qualquer. Nada de mais, mas ela não gostou.

Foi o suficiente para estragar a noite. E um futuro que poderia estar começando desapareceu em cinco ou seis palavras. Tudo o que veio antes foi jogado fora junto com as sobras dos pratos.

Uma simples frase apagou com a ótima conversa, os interesses e amigos em comum. Simplesmente assim. Por quê? Porque não há tempo para uma segunda chance. Como é que uma relação vai nascer se não dermos espaço para isso acontecer? Se a ligação entre duas pessoas não sobrevive a uma simples frase, como pode virar algo mais?

Deixa-se de amar por nada. Mata-se por nada. Vive-se para nada. Por que tanta ansiedade? Quem disse que o que virá depois é melhor do que o que está aqui? O importante é aproveitar o momento. Afinal, entre o antes e o depois, a única coisa verdadeiramente real é o agora.

Felipe Machado 

Eu gostei muito desse texto, diz exatamente o que eu penso e o que eu tento evitar. Tirei ele da Revista do JT desse domingo. Vale muito a pena ler a coluna desse cara, são muito bons os textos dele. Beijoca :*

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