sábado, 30 de outubro de 2010

#46 - Fantoches


Quando assistimos a uma peça de teatro, vemos pessoas mascaradas por personagens. Atores tornam-se imagens interpretadas. Marionetes de um texto. Não enxergamos mais a pessoa, mas sim o papel que ela incorporou, vemos o apelo nos passar algo que a humanidade não vê. Começamos a sentir algo estranho, hora a sensação de culpa arrebentar com o nosso ego, hora a sensação de está sendo ouvido, aquele personagem diz tudo o que nós queríamos dizer, resume tudo o que não sabíamos que queríamos dizer. Aquelas palavras despertam o que nós já sabíamos, mas nunca nos lembramos que as podíamos dizer.

As pessoas não são fantoches das personagens, são fantoches das pessoas. O mundo está sendo manipulado por um grupo de fantoches, mutuamente. Pessoas agem sob o comando de outras pessoas sem nem se darem conta disso. Todos são movidos por outras pessoas, por opiniões alheias, pelo que os outros devem enxergar. Seguimos o estilo de um personagem de teatro.

Querer o poder mostra que você se tornou um fantoche das outras pessoas. Está sendo manipulado pela opinião que elas terão de você. Tornando-se um fantoche do seu desejo de exibir aos outros quem detém aquele poder. Você deseja ter marionetes, mas se torna um fantoche de si mesmo sem perceber. Se não existissem outras pessoas, você não iria pensar assim. Tudo está ligado à opiniões alheias, à vontade de exibir aos outros o que você tem.

Tudo o que fazemos é sob a opinião de outras pessoas. Tudo está ligado ao que os outros verão, ao que pensarão, ao que agirão. Não adianta falarmos que a opinião alheia não nos afeta. A maior prova de que ela nos afeta, é a vergonha que sentimos.

É mais ou menos assim: se você me obedece, está sendo meu fantoche, subordinando-se a mim, e ao mesmo tempo querendo mostrar a outro que você também pode, querendo ter o seu fantoche. Se eu mando em você, meu objetivo é mostrar a outro alguém que eu detenho o poder, então me torno um fantoche dele. E, com certeza, essa pessoa vai querer retribuir. É como um ciclo vicioso, todos querendo provar algo a todos.

Isso tudo não é difícil de deduzir ou ser provado. É só nós observarmos e questionarmos. Por que estamos fazendo isso? Sempre vai ser para mostrar ou provar ao outro algo, não há dúvidas. Todos os nossos desejos estão ligados a alguém. Agora, o difícil é como parar de ser fantoches? Isso é possível? O pior de tudo é quando isso se torna tão forte a ponto de destruirmos uns aos outros, sem saber.

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