domingo, 24 de outubro de 2010

#44 - Está tudo bem, mais uma vez.

Está tudo tão bem, tudo em seu lugar, tudo tão estranho. As coisas estão tão fáceis, tão inexplicáveis... Tenho muito medo quando tudo está assim. Será que vai continuar assim? Eu estou acostumada com o caos, com a loucura, com o estresse... Quando as coisas estão calmas demais, eu me assusto. Bate um desespero, como se tudo fosse desmoronar a qualquer instante... Em um segundo. Eu estou me sentindo estranha, esse sentimento de que há algo fora do normal, quando tudo está aparentemente “normal”.

O ano escolar está quase no final... Quase não acredito. Mudei tanto nesses últimos meses. Estou tão pensativa hoje... Olhar fotos velhas no computador, momentos legais com os meus amigos de escola. Será que quando acabar o ensino médio eu ainda terei contato com eles? Será que cada um vai seguir o seu caminho e ninguém mais vai se ver? O que vai acontecer daqui a um ano? Final do terceiro ano... Dizem que o que está longe dos olhos está longe do coração... Certeza que perderei alguns contatos, ou muitos... Mas todas essas lembranças legais vão ficar. Até o fim, assim espero. Afinal, eu cresci junto com eles, com a influência deles, com a influência minha. Não foram apenas festas e risadas, foram ensinamentos. Aprendi o que é ter amigos, o que é estar feliz... Ao menos um instante. E são esses que ficam. E tudo isso é passageiro? Sim, é passageiro. Tudo passa, a vida passa.

Sabe, eu estou sentindo muito a falta da minha amiga... Aquela falta que me faz chorar. O pior é que eu estou inventando desculpas para mim mesma, para não ligar para ela. Não me pergunta por que. Eu não sei porque... Eu estou com fome de pessoas, estou com sede de pessoas. A ausência dela nunca foi tão triste. Mas porque tristeza? Eu estou feliz! Estou acreditando que tudo isso seja felicidade. Ah, quer saber? Eu vou sim ligar para ela! (...) Liguei, mas ninguém me atendeu mais uma vez. Agora sim eu fiquei triste... Não triste por completo, porque uma parte de mim é amor e a outra ausência. Eu sinto falta, uma falta que sempre esteve, sempre está e sempre estará comigo. Eu não sei do que eu sinto falta... talvez nem exista. Já não é mais uma necessidade, é um luxo. Sinto falta do que não existe. E o que existe, eu me sinto perder. Eu não estou perdendo. Eu sei que não! Mas esse meu sentimento me engana, faz pensar que sim. Ele não me abandona e faz chorar. Acho que eu sinto falta de falar. Não falar, se expressar. Eu sempre falo, mas a maioria das palavras são inúteis.

Não quero que me ouçam, eu quero que me leiam. Eles não entendem que tudo está explicado no meu silêncio. Isso me torna assim, como toda essa bipolaridade. Opostos que não se atraem. Eu estou amando, estou sendo amada. Os meus medos, os meus anseios... Guardados no meu silêncio, que está esperando para ser decifrado.

Queria sair por aí, andando. Queria ler um livro do meu gosto. Queria não falar nada. Queria estar com ele. Queria a minha amiga. Queria que toda a minha angústia passasse. Odeio sentir as pessoas. Não gosto de dias frios... Não gosto dessa dor no meu peito. Não gosto de estar triste. Não gosto de mentiras, elas são um vício que fragmentam as pessoas. Não interessa se tudo o que estou falando agora não importe mais amanhã. Afinal, o amanhã não é como o hoje, mas o mundo dá voltas. E amanhã eu amarei um pouco mais, sofrerei um pouco mais, aprenderei um pouco mais.

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