domingo, 3 de outubro de 2010

#34 - Dia, dia, diário

Não sei o porque, mas resolvi escrever aqui o que estava em segredo no meu "diário". Não vou alterar absolutamente nada. Não lembro, porém, quando escrevi o texto. Quando escrevo em papel, raramente coloco datas na folha. Lembro apenas que escrevi em dois dias diferentes, no texto eu falo quando foi... Tudo o que escrevi já está no passado, as coisas mudaram bastante. 

"Escrever... acho que depois que eu criei o Happiness Shared comecei a prestar mais atenção aos detalhes da minha vida. As palavras vêm na minha cabeça quando sinto, vejo ou vivo algo que não seja comum à rotina. Observo o céu como nunca havia feito, olho as lâmpadas dos postes na rua, como nunca as olharei mais. O ar denso que eu respiro dói como sempre doeu, mas hoje ele é notado. O espelho reflete como sempre, porém não mais o que refletia. Eu vejo... olhos aparentemente negros, enganadores. Se eu não os conhecesse tão bem, afirmaria que são negros. Não são. Cansaço... está estagnado numa face não tão bonita, mas que me prendeu por mais de alguns segundos à frente desse objeto. O que você tem, minha cara? Você tem a minha cara. Mas não sou eu... Ou sou? Acabo de declarar-me estranha de mim mesma. Passam mil pensamentos na minha cabeça oca, nenhum permanece... Falei que eu ia morar embaixo da ponte com o Rodrigo se eu não estudasse, poderia ser engraçado, ao menos em pensamento. Eu sei que ele gosta de mim, mas eu não sei se eu gosto dele... Não sei. Estou deitada na minha cama, quase pegando no sono... Hoje faz nove anos que as Torres Gêmeas caíram, então eu penso: o que leva um pessoa a matar outra? E dessa pergunta eu pergunto: como será que é morrer? Será que é como quando dormimos? Se sim, eu gostaria de morrer, nos meus sonhos eu sou livre. Liberdade de ser o que eu quero, fazer o que eu gosto. Amar quem eu quiser amar. Liberdade de definir o que é certo ou errado, e não adaptar opiniões de uma massa. O que é errado? O que a maior parte de uma sociedade abomina? Isso é errado. Para mim é errado.
Minha fé está abalada. Já não sei mais em que acreditar. Se Deus existe, ele deve estar muito bravo comigo... não é minha culpa a desconfiança em crendices. Fico quieta, preferindo não comentar sobre isso.
As vezes acordo super feliz, animação interior.  Como acordei hoje. Já é tardinha de um doze de setembro, escutando passarinhos cantar... Escuto uma panela cantando enquanto cozinha o alimento... Escuto um carro passando na rua...
Agora há pouco li um artigo na revista do jornal, a coluna de Felipe Machado falava sobre a responsabilidade de seus atos. Eu sei ser responsável, porque meu consciente não me deixa fazer o que eu não devo... mas eu já quis ser irresponsável. A minha mente tem um lado todo irresponsável, sorte do mundo que ela é controlada. Eu já quis ser mãe, já imaginei como seria. Já quis fugir de casa e já quis me suicidar. Sempre me coloco em cenas imaginárias que nunca vão acontecer (eu acho)... Já quis me casar, só para saber como é. Já quis ser cantora ou atriz. Já quis ser a mocinha do filme. Já quis pegar um ônibus qualquer e ir sem rumo até o dia acabar. Já quis fazer alguém feliz do mesmo jeito que eu queria ser feita feliz. Fantasias de uma garota de dezesseis anos.
Porque as pessoas são tão egoístas? Será que elas têm medo de ser deixadas para trás? Ou têm medo de se sentir inferior aos outros? O que leva uma pessoa a querer prejudicar outra? Todos temos o potencial para conseguir ascender, não precisamos prejudicar outras pessoas.
Há alguns dias eu estava lembrando como era bom ser criança. Sem  responsabilidades, sem preocupações ou dores de cabeça. Mas hoje eu notei que crianças não têm escolhas, e isso me levou à satisfação. Atualmente eu posso escolher... Escolher o que vestir, escolher o que estudar, escolher o que ouvir, escolher com quem falar. Quando eu era pequena, queria que escutassem a minha opinião e ouvissem a minha escolha... Hoje são raras as pessoas a quem falo a minha opinião e quase ninguém vê as minhas escolhas. Jogo meus planos para o futuro. Poderei fazer o que não posso. Espero estar formada, empregada e ser mãe de uma menina. Não sei se estar casada me fará grande diferença. Quero ser independente, tipo dona de mim mesma. Quero que meus pais se orgulhem de mim. Quero fazer a diferença para alguém. Quero amar incondicionalmente. Quero que alguém me complete. Quero completar alguém.
Quanto tempo durará a vida? Será a morte o segredo dela? Qual será o tempo a mim fornecido no nascimento? O que  a vida me guarda para a morte não ter me levado? O que por trás de toda um história? Ambígua história."

1 comentários:

Kevin Campos Correia disse...

curti, pensa mais positivo giii, que imaginação fértil acho q td mundo eh assim, mas vai com calma, sempre mantendo o controel! xD