domingo, 1 de agosto de 2010

#16 - Veja


“As palavras não nascem amarradas,
Elas saltam, se beijam, se dissolvem,
No céu livre por vezes um desenho,
São puras, largas, autênticas,
indevassáveis.”
- Carlos Drummond de Andrade -

Palavras não são muito mais do que rabiscos, quando escritas em vão. Escrever é muito mais do que rabiscar, é muito mais do que juntar palavras... É narrar o que queremos, podendo ser um história ou uma estória. Quando escrevo, redijo pensamentos e sentimentos em forma de caracteres, vocábulos.
Escrever devia ser uma terapia... Deve ser... Sinto-me bem melhor quando escrevo. Deixo a dica: escrevam!
Toda aquela rotina cansativa recomeçou. Isso é tão “bom”. Tempo ocupado... Acho que isso já faz parte do que eu necessito. Talvez não seja a rotina, mas as pessoas.
Levantar às cinco horas da matina nunca foi muito bom... Quando observo as pessoas que estão comigo esperando o ônibus, noto que  elas tem uma face pesada... Será que elas têm pessoas que as fazem se sentir melhor? As vezes fico olhando as pessoas e imaginando para onde elas podem estar indo... Elas não parecem muito felizes com isso.
Minha semana foi anormal como sempre... Anormal tornou-se normal há muito. Então ela foi normal. As obrigações já começaram a ressurgir. Trabalhos, práticas, lições (argh). Estudar é interessante, mas somente quando estamos estudando o que gostamos. Quando eu estou aprendendo sobre o que eu gosto, tudo parece mais incrível, mais simples.
O segundo módulo de química parece prometer... Tudo o que eu acreditava que era daquela maneira, simplesmente não é! Oh God! Isso é tão fascinante. Pelo menos agora... Uma coisa que eu achei engraçada é como as pessoas que começaram o técnico em química ficam... tudo é novidade! Isso é tão bonitinho... Eu ficava assim no início. Hoje já é normal, mesmo com as novidades. Esses detalhes, quando não passam despercebidos, fazem nossa mente trabalhar, aí lembramos de como já agimos ou qualquer coisa do tipo. Geralmente eu falo: “quem precisa de detalhes?”, mas não me ouçam! Detalhes são essenciais muitas vezes.
Alguns desses detalhes ficam cravados na cabeça... Por exemplo: pensavam que eu era uma menininha ingênua que via um mundo cor-de-rosa onde tudo era bonito e todos eram legais. Eu ri muito, não é bem assim. Acho que é porque eu faço o que eu “quero” e ajo como “quero”, não do tipo “eu sou rebelde” (não sou assim), mas eu não fico limitada por causa de outras pessoas. E o meu mundo não é tão cor-de-rosa assim. Então essa mesma pessoa me pergunta ontem: “É tão difícil ser uma pessoa boa, legal e amável como você?”. Isso foi bom de ouvir, mas eu não soube o que falar... Fiquei “como assim?”, as pessoas são diferentes, apenas isso.
Acho que cada vez mais as pessoas estão se limitando ao que um grupo acha ideal, e isso é uma grande hipocrisia... Talvez meu mundo fosse mais cor-de-rosa se as pessoas não fossem tão fingidas e tão dominadas pelo inútil. Por isso continuo olhando através da janela do ônibus em direção à escola e observando as faces cansadas das pessoas e imaginando seus destinos e sorrindo comigo mesma... Não importa se acham que eu sou louca por rir sozinha quando olho o que elas não veem, não me importa o que elas estão achando, se eu não estou fazendo nada errado. Enquanto elas dormem eu vejo através da  janela um mundo que me espera. Lá está o que elas não veem.

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