sábado, 21 de agosto de 2010

#26 - Um, dois, três (...)


Aquele dia acordei totalmente transtornada, querendo matar ou morrer e não sabia o motivo. Uma semana muito irritante, mas não tinha razões para isso. Estava tudo muito normal, isso era frustrante. Odiei acordar cedo, quis chegar atrasada à primeira aula, mas não deu certo. Isso me enlouquecia ainda mais. Eu enrolei mais de uma hora pra levantar e cheguei sem atraso! Dias mais bipolares da minha vida. Matei aula do técnico, uma sem querer. Fui mal na única prova que eu estudei. A nova professora de Literatura é uma chata, as pessoas falam que eu que estou sendo chata, mas eu vejo ironia nos olhos dela! Sinto dizer que eu adorei o que aprontaram com ela. Senti-me vingada.

Olhei para o nada mais que o normal. Senti-me sensível demais. Descobri segredos. É tão irônico ver a satisfação que as pessoas têm na face, quando acreditam que eu não sei o que elas sabem. Queria poder ter o gosto de lhes falar o que não imaginam, mas minha lealdade é maior. Calei-me.


Fazer drama é uma especialidade, mas não consegui chorar. Isso foi chocante, desesperador. Foi ótimo, mas ruim. Ainda estava com os nervos à flor da pele. O barulho me irritava, o silêncio aborrecia. O nada era insuportável. Não existe nada pior que estar irritado e sentir-se debilitado.

A semana foi mais curta, a mais frustrante. Acabou. Minha semana recomeçou em plena quinta-feira à noite. Eu estava muito mal, mas quis que fosse a melhor. Foi a melhor noite da semana. Fazia muito tempo que eu não ria até minha barriga doer e minha respiração parar. Estava feliz, tinha companhia. Doente e feliz. Feliz e acompanhada. Sorrir, cantar, brincar, conversar... Cheguei em casa às 21h30 da noite. Não queria ter voltado, mas tive que fazê-lo. A rua estava escura, havia poucas pessoas. O frio era doce.

Então começa um novo dia, um belo dia ensolarado. Iluminou a minha alma, esclareceu minha felicidade. Eu necessitava de música. Gravei músicas num CD qualquer e coloquei no som. Dormi ouvindo as melhores melodias. Algo tranquilizante que eu não praticava há tempos.

Sinto que estou confusa, mesmo que essa não seja a palavra ideal. Sinto-me sombria e intensa. Amada sem amar. Sou egoísta quanto a isso. A culpa não é minha, não posso amar todos que me amam. E isso não me agrada. Queria desaparecer com todo o amor que me foi oferecido, mas isso não é possível. Eu não posso obrigar-me a fazer o que eu quero.

Um momento tão intenso, tão único, tão meu. Não quero dividi-lo nem comigo. Isso é egoísmo próprio, é limitante. Desejar mais tempo para mim e não querer compartilhar com ninguém, nem comigo. Tenho medo das consequencias que isso pode causar. Involuntariamente eu me nego a fazer o lógico. Brigar comigo mesma já não é rotina. Eu me abandonei. Não me dividirei com ninguém. Descobri também que querem me descobrir. Explorar o que eu sou. Ninguém sabe mais de mim, que eu mesma. Isolar-me-ei do meu ser. A causa é tão simples, que se torna complicada. Eu quis transparecer.

As coisas estão tão mais fascinantes: o medo, a angústia, os sorrisos, as frustrações, o amor, os amigos, o cansaço, a minha vida. A vida me parece mais generosa, paralisa cada momento como único. Sendo cada único o melhor, o mais doce, o mais intenso. Dance ao som da melodia, no cair do lácteo crepúsculo.

1 comentários:

Kevin Campos Correia disse...

curtiii mas o menina de fases em, tantos sentimentos em um só post, mulheres o q mais posso dizer...kkkkk