domingo, 8 de agosto de 2010

#21 - O caos, o medo, o nada


“O medo atribui a pequenas coisas grandes sobras.”
(Provérbio sueco)


Sabe quando tudo parece fora do controle próprio? Minha vida está de ponta cabeça, minha cabeça está mais bagunçada que o meu quarto. Em um momento estou cantando, em poucos instantes depois eu estou irritadíssima. Apenas quero o silêncio. Estou me sentindo tão bipolar. Ninguém entende que eu não sei explicar o que eu tenho, e continuam insistindo.
A tristeza ocupou-me profundamente quando soube que eu não sou mais a mesma, que meus amigos notam isso. As vezes eu acho que minha mãe também nota. Seus olhos falam com os meus, naquele momento de silêncio, quase pedindo para que eu fale. Disfarço. Sorrio, brinco, isolo-me. Não tenho o que falar, não sei o que falar. O que existe em mim não tem nome, não tem definições, talvez tenha um motivo.
Por que dói tanto ouvir o que já sabemos? Eu não quero ouvir deles o que eu já sei. Isso me faz chorar. Querer negar o que é óbvio não é viável. Mas eu não quero assumir que estou num escuro interior, onde tudo é feio, onde tudo é frio.
As vezes penso se tudo o que eu sinto, outra pessoa já sentiu. Incomoda-me o que sinto, é assustador, me consome. Então sorrio para não transparecer. Ninguém vai entender. Sinto-me presa à beira do abismo, sob a claridade láctea de uma lua distante. Eu quero o sol.
O sol que ilumina por fora, não chega mais dentro de mim. Por dentro existe o caos. Um caos estagnado que muda meus sensos. Estou quieta por dentro quando não paro por fora. Está me matando. Morrer vivendo.
Não quero colocar as cartas na mesa. Não sei mais se quero o branco ou o preto. Adoro chocolate, isso não tem nada anormal, mas meu chocolate não tem mais o mesmo sabor.
Será que só eu sinto-me presa? Presa no nada. Presa no transtorno dentro de mim. O transtorno do nada. Tenho medo do costume, tenho medo de me acostumar a ficar assim. Tenho medo de ficar a esmo. Esquecer o que é sorrir espontaneamente pelos cantos. Acostumar a não viver intensamente. Se é que o intenso ainda me existe. Esta estrada terá fim? (...)

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