domingo, 8 de agosto de 2010

#20 - Flores de plástico não morrem


“Flores de plástico não morrem”. Assim disseram. A frase me irritou, e a continuação: “A frase ideal pra mim” me incomodou ainda mais: Uma flor é delicada ao toque, é bonita, é perfumada, é a coroa das plantas. É viva. E quando morre, cai na terra e se decompõe, ela fertiliza o chão para as próximas que vierem. É útil e consciente. Na própria flor estão as sementes: Gineceu e Androceu. Pistilo e Pétalas. É incrível. E então me aparece isso: "Flores de plástico não morrem". E então, qual a vantagem? Também não são delicadas, não tem cheiro e nem cor, é apenas plástico recoberto de tinta. "A frase ideal pra mim". O que significa isso? Que você é uma imitação? Uma flor que não é sequer uma flor de verdade, apenas se parece com uma? Que você não morre, que você sobrevive, apenas existe? Que você é mais resistente? Espero estar errado. Muito errado. Mais me valeria um jarro com uma flor decadente, do que um jardim inteiro de flores de plástico. Eu saberia que o jardim estará sempre lá, e isso não me animaria em nada, seria sempre estático, infértil, mentiroso. Uma flor decadente, triste, mesmo que esteja a beira da morte, ainda teria em si história, um começo, um motivo. Teria a minha atenção. Quem dera que eu esteja errado."
(Vitor Torres Freire)

(fonte: weheartit)
As flores de plástico não morrem, elas são resistentes, têm sua beleza, encantam e enfeitam. As flores de plástico enganam, não mudam, iludem. Sim, eu quis ser uma flor de plástico como aquela, mas eu não consegui. Malditas flores de plástico!
Guardei em mim, uma flor de plástico... Ela me induziu a fazê-lo. Flores de plástico não morrem. Não se modificam, são belezas virtuais, inacabáveis, indelicadas, inanimadas, abióticas.
Essa flor enganou os meus olhos. Induziu-me a adquiri-la, guardá-la. Ela não morre. Está aqui, tão longe. Num canto escuro dentro de mim, ela existe. Simplesmente, porque flores de plástico não morrem. Flores de plástico são como vampiros à procura de sangue. Sugam minha alma, o que resta dela.
Ao fim de tudo, ainda existe um feixe de luz situado em meu interior escuro. As lágrimas que brotam dos meus olhos, regam as flores verdadeiras do jardim que um dia me pertenceu. (...)

1 comentários:

Hermes disse...

"As lágrimas que brotam dos meus olhos, regam as flores verdadeiras do jardim que um dia me pertenceu".

Ele lhe pertencerá de novo, Eu sei.