terça-feira, 3 de agosto de 2010

#18 - Já era noite...


Não devia ter demorado tanto, já era noite e ela persuadiu-me. Conversamos por muito tempo. Falamos sobre tudo, de tudo. Houve um instante que eu quis chorar, mas não chorei. Sinto que o rancor ainda é uma barreira viva em mim, ela é a única que me conforta de tal maneira. Realmente fiquei feliz. Trocamos segredos. Nas horas menos incertas descobrimos como é bom falar. Parceiras de crime.
A minha melancolia já nem é mais visível, eu não a sinto, mas ela está lá. Sempre vai estar, sempre, sempre, até eu me encontrar. Liberdade.
Desabafo inesperado, não pensava em falar assim, momentânea e banalmente. São em momentos assim que sabemos o que é um amigo, um confidente.
Perdi uma batalha, doeu, dói. Batalhas perdidas não são guerras ganhas. Amores não correspondidos não é o fim do mundo. Cada estrela tem sua hora de brilhar. O fôlego ainda não se extinguiu, então fique esperto, meu caro enganador.
Já era noite, eu tinha que ir, mas não queria. Por que o amanhã não poderia ser mais longo? Reinventar, reinventar, reinventar um novo amanhã. Obrigações sempre acabam com os melhores momentos?
A rua estava monótona. Não havia muitas pessoas. O ar parecia rarefeito, chegava a doer a respiração, o pulmão, o peito. O dia volta à mente, a moeda no bolso da calça jeans. Frio intenso, vento gelado, noite sombria, alma mais leve. Lembrei do abraço que ela me deu. O melhor abraço, o mais sincero, o mais querido, o mais amigo.
Alguém já sentiu necessidade de palavras? Eu sim, resolvi ler. Tinha algo novo. Entristeci-me. Você já se identificou com o desconhecido? Já viu sua imagem em alguém que não te conhece e que você não conhece? Senti sua saudade ao ler suas palavras.
Depois de tudo, quando não sabemos descrever emoções, ficamos com uma sensação de alívio, pseudo-alívio. Mesmo a alma não estando lavada, está mais leve o mártir de minha própria consciência. Talvez as maravilhas do mundo sejam conseguidas através de um sorriso e um abraço, seguido de pequenas palavras, simples e sinceras... Porém muitas dessas vezes são negadas, quem sabe pelo simples fato de existirem. Então tentamos não ter saudades do que já não existe mais, odiamos aquilo, pensamos que podemos fugir do que está longe... Não aprendemos? Não dá para fugir do que está dentro da gente. (...)

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