sexta-feira, 23 de julho de 2010

#14 - Um sorriso dela...


Devagar se vai longe. (Ditado popular)

O que pode ser considerado um dia útil? Aquele bastante produtivo e trabalhoso ou aquele que você realmente se sentiu bem? Eu acredito que os dois. Horários já foram importantes um dia. Atualmente, não passam de horários. Mas hoje eu fiz questão de não atrasar, não muito. Parece que quando acreditamos que o dia vai ser bom, agimos com mais satisfação. Nada me irritou, nada. Vi o reflexo na janela, seus olhos brilhavam. Pareciam negros como a noite, numa luz tão límpida do sol de uma manhã linda.

Estava radiante, sentia-se radiante. Foi recebida por um abraço apertado. Foi tão bom sentir-se querida, ser elogiada. Minhas nenês... Eles estavam lá, à toa. Tão perfeitos, tão queridos. Quanta falta. Sorriam, falavam, brincavam. Esperavam por ela. Somente por ela. Sentiu-se bem mais uma vez.

Conversas sem razão, sem finalidades. Talvez sem nenhum tema. Apenas palavras. Não tinha propósito, mas não eram vazias. Eram as mais saborosas palavras que ela falava e ouvia há um tempo. Ela falou, sorriu, sentiu-se feliz. Senti-me feliz. Tudo tão verde, mas parecia cada vez mais colorido. O céu estava azul, muito azul para seus olhos. Ela olhou as folhas da árvore à sua frente. Pareciam mais verdes, efeito de um dia ensolarado. Sol, sol, simplesmente sol.

O tempo ia passando, parecia lento. Eles falavam que queriam ir, ela queria ficar mais um pouco. Então fiquei, deitei-me no banco, como não fazia há dias. Ela olhou para o telhado, sorriu. Ninguém viu. Senti-me muito boba por um momento. Ela viu aquele menino a olhar. Por que me olha? Não importa. Saímos.

A avenida continuava movimentada como sempre, mais uma quinta-feira de julho. Havia crianças lá. Ela as observou do alto. Lembrou-se de quando era pequena, de quando brincava daquele jeito. Comentou qualquer coisa sobre a energia que elas tinham. Impressionante! Ele me sorriu. Havia música também. Música! Nada melhor que música, sol, céu, eles. Cantei.

O sol batia em seu rosto, o vento beijava sua face, brincava de lhe bagunçar os cabelos. Cachos bagunçados, mais tarde foram enlaçados. Ele a abraçou. Sorri. Foi tão bom. Roupas sujas de barro. Uma pequena grande criança.

Infância me voltou à memória. Bons e velhos tempos. Lembrei da ponte, grande aventura. O tempo voava, e o vento ainda lhe desarrumava os fios. Não eram apenas meus cachos que eram bagunçados. Os dela também. Tão linda, tão alva aos meus olhos ela estava. Cantamos juntas. Ninguém mais cantou, apenas nós duas.

As horas não importavam, mas ela as queria. Dei uma piscadela para o meu amigo, ele sorriu em retorno. As horas me foram dadas. Não eram importantes.

Havia um skate. Era diferente... talvez meus olhos, talvez os dela. Uma moça o guiava. Não desistia. Admirei, mas ela não a olhava como eu. Uma guerreira? Assim a chamei, ela não olhava a moça... Ela o olhava. Estava tão quieto, tão perfeito, tão dela. Ele a olhou, ela sorriu. Senti-me bem, muito bem por ela. Foi surreal por aquele instante. Ela permaneceu comigo mais um tempo, até que o tempo a levou. Não, simplesmente ela se distraiu comigo novamente.

Ainda sinto o doce na boca, ela está aqui. Falei que não queria nada, mas tinha vontade de tudo. Ela ainda está me falando sobre o céu. Tinha algum segredo. Ela não quer me contar... Não confie nela. Não confie! Ela te entende mais do que você possa um dia imaginar. Ela é tão real que ninguém vê. Eu sinto. Ela sorri, mas ainda quer chorar as lágrimas reprimidas. "Chore minha cara, chore. Eu estarei sempre presente. Até quando você não mais me quiser. Sou sua, sempre viverei com você. Talvez para você. Eu te amo."

Ela pediu para minha mente construir uma fortaleza que guardasse meu coração. Mas minha mente, pouco esperta, construiu meu castelo de areia à beira mar. Pobre mente porém, esqueceu a traiçoeira maré. Agora, ela vê a maré subir, destruir minha fortaleza de areia e alagar aos poucos meu frágil sofredor. (...)

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